Leio relatos de paixões que me fazem arrepios na espinha. Confesso-me
incondicional fã de contos eróticos e de aventuras escaldantes. Não me sinto
escrava do meu corpo, mas sei que ele me trai muitas vezes. Não sei se sigo
os meus impulsos mais básicos, ou se simplesmente não dispenso esse frio na
espinha.
Gosto do risco, da aventura, do riso, da loucura. Gosto da paixão. Gosto de
estar apaixonada.
Mas acredito num amor para a vida. Ou no amor de uma vida. Ou partilhar a
vida com um amor.
Como posso viver as duas coisas? O que me faz feliz, afinal: O que me toca o
coração, ou o que me incendeia a pele?
Poderei ter as duas coisas?
Partilhar a vida com um amor. Partilhar sonhos e projectos de vida.
Partilhar amizades, fazer uma história. Ver crescer os filhos, como uma
parte de nós.
Os filhos. A mais suprema das partilhas. Uma parte de mim e do outro. Ali
fundidas, pela mistura dos nossos corpos e das nossas almas.
Deitar a cabeça na almofada e tocar-lhe antes de dormir. Saber que está ali,
e que amanhã também estará. E que me protege, com força e carinho. Sem
segredos. Não há mistérios, nem passados. Acabaram os pesadelos. Dormir
confiante, que amanhã será mais um dia, a rotina de sempre. Mas nunca esta
rotina poderá ser aborrecida.
Façamos desta rotina antes um ritual. O nosso ritual, as nossas coisas. Os
gestos que repetimos mecanicamente sem pensar, que sejam os sinais da nossa
intimidade que sabemos de cor. Que as manias tolas não nos exasperem, mas
nos façam rir.
Façamos do carinho um ritual. Que o beijo pela manhã seja sempre dado com os
olhos fechados e não de fugida. Que o telefonema durante o dia, seja feito
porque pensamos no outro e queremos ouvir a sua voz, e isso não pode esperar
para logo. Mesmo que haja “logo” todos os dias. Que o abraço que damos no
final do dia, seja o abraço do reencontro de quem estava cheio de saudades.
Que a nossa vida seja um prazer. Que a companhia do outro seja
insubstituível. Que não exista ninguém em cada momento com quem mais
quiséssemos estar. E mesmo quando estamos longe, que seja no outro que
pensamos, e em como gostaríamos que ele ali estivesse e nos visse, ou
partilhasse aquele momento conosco.
Estou rendida ao amor. Não quero um amor “morninho”, nem caseirinho. Mas
quero o meu ritual do amor*.























